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O espaço biancoceleste no Brasil

Não só Kolarov: conheça os jogadores que vestiram as duas cores do Derby di Roma

Postado em 11 de novembro de 2017 por



O Derby della Capitale do próximo dia 18 de novembro marcará o reencontro da torcida da Lazio com um velho conhecido: Aleksandar Kolarov, pela primeira vez, terá o time biancoceleste como rival. O sérvio, que disputou mais de 100 partidas pela Lazio entre 2007 e 2010, quando foi vendido ao Manchester City, retornou nesta temporada para a Cidade Eterna, mas para vestir as cores do segundo time da capital.

Kolarov em seus tempos de Lazio, quando ninguém imaginava que ele viraria a casaca

Kolarov chegou a marcar golaço contra a Roma vestindo a águia sobre o peito, e participou da conquista de uma Coppa Italia e uma Supercoppa Italiana, mas agora está do outro lado e certamente não será poupado pela torcida da Lazio. O lateral-esquerdo fez uma troca pouco comum ao decidir vestir giallorosso: além dele, apenas cinco jogadores mudaram de lado como ele, defendendo a Roma após um passado laziale. Já a Lazio teve dez ex-romanistas em toda sua história.  No total, apenas 15 jogadores jogaram tanto pelas águias quanto pelas lobas em sua carreira. Desses, apenas quatro saíram de um clube romano diretamente o seu rival. Abaixo, trazemos os nomes que figuram nessa lista bastante restrita.

O primeiro a jogar pelos dois rivais romanos foi Luigi Ziroli. O atacante nascido na capital jogou pela Alba (depois chamada de Alba Audace), um dos trocentos times que se uniram para fundar a A.S. Roma. Foi dele o primeiro gol giallorosso no Campeonato Italiano após a fusão, em 1927. Após jogar um ano no Venezia, Ziroletto foi contratado pela Lazio em 1929, tornando-se o primeiro vira-casaca da história do dérbi. Em biancoceleste, marcou 13 gols em 59 partidas entre 1929 e 1931.

Bernardini (com a bola) jogou pela Lazio antes mesmo de a Roma existir (foto: fulviobernardini.it)

Fulvio Bernardini teve uma carreira precoce e curiosa: iniciou jogando como goleiro, virou atacante e depois passou a jogar no meio-campo. Seu primeiro time foi a Lazio, pela qual estreou como goleiro titular antes mesmo de completar 14 anos, sendo o futebolista mais jovem a jogar pelo time biancoceleste (marca que, hoje, é impossível de se imaginar sendo superada). Pelo lado azul da capital, foi capitão e marcou 65 gols em cerca 100 partidas (números não oficiais). Bernardini foi um dos primeiros jogadores de fora da região Norte da Itália a integrar a seleção nacional, mas sua passagem foi encurtada por ele ser “bom até demais”. Após uma passagem pela Inter, onde descobriu um jovem Giuseppe Meazza, se transferiu para a Roma em 1928 e lá jogou mais de dez anos, marcando 45 gols em 286 partidas. Foi jogador e treinador da MATER, onde encerrou a carreira dentro de campo e iniciou a fora dele. Foi técnico tambem da Roma, onde é grande ídolo (o clube dedicou-lhe o nome do seu centro de treinamento), mas foi na Lazio que ele venceu títulos: “Fuffo” foi o comandante da conquista da Coppa Itália de 1958, primeiro troféu oficial conquistado pelos biancoazzurri. Bernardini conquistou também o scudetto com Fiorentina e Bologna e gravou seu nome na história do futebol italiano como um de seus maiores personagens.

Campeão do Mundo com a Itália em 1934, Attilio Ferraris, mais conhecido como Ferraris IV, iniciou a carreira na Fortituto e, após a fusão, foi o primeiro capitão da história da Roma e um dos jogadores mais queridos pelos torcedores giallorossi à sua época. No entanto, seu comportamento extracampo e sua vida desregrada o fizeram ter problemas com a diretoria do clube. Mesmo após o titulo Mundial de 1934, onde Ferraris IV foi um dos protagonistas, a Roma aceitou a proposta de 150 mil liras vinda da Lazio e cedeu seu capitão ao rival, gerando revolta entre a torcida. Em biancoceleste, porém, Attilio jogou somente 39 partidas, sem nenhum gol marcado. Depois de uma também breve passagem pero Bari, Ferraris IV retornou à Roma, mas, logo em seguida, encerrou a carreira no Catania.

Selmosson sendo recebido pelo presidente da Roma após ser comprado da Lazio

Arne Selmosson foi um atacante sueco dos bons. Após se destacar pela Udinese, onde foi vice-campeão italiano, foi contratado pela Lazio em 1955, custando ao clube o passe de dois de seus jogadores mais uma considerável quantia em dinheiro. Selmosson não decepcionou e anotou 31 gols em 101 jogos nas suas três temporadas vestindo celeste. Em 1958, porém, a Lazio passava por uma grave crise financeira e teve que colocar seu melhor jogador, que acabara de ser vice-campeão da Copa do Mundo perdendo para o Brasil de Pelé, à venda. A proposta mais vantajosa economicamente veio justamente da Roma, que, pela quantia exorbitante de 135 milhões de liras, comprou o craque do maior rival, provocando a fúria dos laziali. No segundo time da capital, Selmosson acabou marcando 30 gols em 87 partidas, antes de retornar à Udinese. O dado marcante é que Arne foi o único atleta até hoje a marcar gols no Derby della Capitale por ambas as equipes.

Com menos destaque que os anteriores, Carlo Galli, atacante forte no jogo aéreo, também passou pelos dois tomes da Cidade Eterna. Galli transferiu-se do Palermo para a Roma em 1951 e permaneceu por lá até 1956, marcando 40 gols em 94 partidas. Depois de passar por Milan, onde foi bicampeão italiano e chegou à seleção, Udinese e Genoa, o centroavante foi contratado pela Lazio em 1963, marcando apenas quatro gols em 38 partidas antes de encerrar a carreira.

Franco Cordova
também foi um dos que tiveram bom senso na vida e trocou a Roma pela Lazio em 1976, quando já tinha 32 anos. Antes disso, o meio-campista tinha conquistado o Campeonato Italiano na temporada 1965-66 e a Copa Intercontinental em 1965 pela Internazionale. Formado na Salernitana, Ciccio passou por Catania, Inter e Brescia antes de chegar à Roma em 1967. Foram nove anos vestindo a camisa giallorossa (onde conquistou uma Coppa Italia), antes de mudar para a Lazio. Com os biancocelesti, atuou por três temporadas e disputou 85 jogos, marcando em duas oportunidades. A passagem de Cordova pela Lazio ficou marcada pelo gol contra que fez em seu último dérbi em 1979, mas, para a sorte dele, o placar final do jogo acabou sendo favorável aos laziali.

 

“Nunca me arrependi de ter ido para a Roma, só sinto muito por ter decepcionado os torcedores da Lazio”

 

Em seus anos de Lazio, Cordova foi companheiro de outro dos jogadores que atuaram pelos dois rivais de Roma: Lionello Manfredonia. O meia teve longa passagem pelo primeiro time da capital: chegou às categorias de base em 1971, aos 16 anos, e subiu aos profissionais após a grande campanha do título do Campeonato Primavera de 1975-76. A partir daí, a história do volante, que também poderia ser improvisado na defesa, durou 234 jogos e 15 anos na Lazio. Durante o período, Manfredonia marcou dez gols, mas não conquistou nenhum título profissional com a Lazio. Após participar com a seleção italiana da Copa do Mundo de 1978 e só ficar de fora da Itália campeã em 1982 por estar suspenso após envolvimento com um escândalo de manipulação de resultados, Manfredonia, já beirando os 30 anos, foi vendido para a Juventus. Em Turim, permaneceu por apenas duas temporadas, antes de ser comprado pela Roma em 1987, encerrando a carreira três anos depois. No outro lado da capital italiana, Lionello não conquistou nada e nem conseguiu repetir as boas atuações do seus tempos de Lazio e Juventus. A melhor parte disso é que a própria torcida da Roma criou uma organizada “Anti-Manfredonia” para protestar contra a contratação do jogador.

Coincidentemente, no mesmo período em que Cordova e Manfredonia estavam na Lazio, outro jovem vira-casaca também fazia parte do elenco laziale. Carlo Perrone foi promovido aos profissionais em 1977 com apenas 17 anos. Mas, em 1981, com apenas 21 anos, o defensor cansou de esperar para se firmar na equipe titular da Lazio e se mudou para a Roma. Após apenas uma temporada e cinco jogos disputados, Perrone se arrependeu, pulou o muro de novo e voltou para mais uma temporada pela Lazio, onde novamente não conseguiu ter espaço regular no time. Aos 23 anos rumou para o Ascoli, onde teve mais sucesso na carreira, e ainda passou por Lecce, Avellino e Lodiagini, onde encerrou a carreira em 1991.

Mihajlovic ganhou (quase) tudo na Lazio

Atualmente treinador, Sinisa Mihajlovic foi mais um dos jogadores a atuar pelos dois clubes de Roma. Chegando à Lazio em 1998 como grande reforço após quatro anos na Sampdoria, o meio-campista que virou zagueiro se destacou bastante, ficando conhecido por sua liderança defensiva e pela qualidade na bola parada, sendo responsável por 33 gols em 193 jogos. Na Lazio, o sérvio formou ótima dupla de zaga com Nesta durante anos, vencendo quase todos os troféus da época de euro do clube e chegando a ser capitão antes de sua saída para Inter em 2004. No entanto, a Roma foi o primeiro clube italiano que ele defendeu (por duas temporadas, entre 1992 e 1994), logo após deixar o Estrela Vermelha. Obviamente ele não conquistou um título sequer com o time giallorosso, enquanto com a Lazio foram sete troféus erguidos.

O incansável meia-atacante Diego Fuser, que teve sua carreira escrita em 24 temporadas, obteve bastante destaque na Lazio, onde chegou em 1992, após passagens por Torino, Fiorentina e Milan, e defendeu o clube por seis temporadas, anotando 35 gols em quase 200 jogos. Após bastante sucesso em biancoceleste, Fuser deixou a capital pouco antes de a Lazio viver a melhor fase de sua história, e buscou o mesmo êxito no tradicional Parma, à época clube cheio da grana, ficando por lá três temporadas e posteriormente retornando à Cidade Eterna para assinar com a Roma. No entanto, Diego foi mais um que não alcançou destaque semelhante atuando pelas outras cores da cidade, atuando em 15 partidas e marcando apenas dois gols.
Ao contrário de Fuser, Fabrizio Di Mauro primeiro atuou pela rival Roma, clube em que foi revelado e onde não alcançou destaque, sofrendo sucessivos empréstimos até chegar em definitivo à Fiorentina. Após uma temporada na Viola, o meio-campista foi emprestado a Lazio por uma temporada, onde jogou 21 partidas e balançou as redes duas vezes.

Antes goleiro, agora dirigente: Peruzzi tem uma forte ligação com a Lazio

Angelo Peruzzi, um dos melhores goleiros de sua geração, começou sua carreira na Roma. Ficou na equipe de 1987 até 1991, passando por um empréstimo ao Hellas Verona na temporada 1989-90, e sua história com o clube giallorosso parou por aí. Após isso, passou por grandes momentos na Juventus e por uma temporada não tão boa na Inter, chegando à Lazio em 2000. Nos sete anos em que defendeu a primeira equipe da capital, o goleiro foi titular absoluto, um dos líderes do elenco e uma certeza de segurança debaixo das traves. Foram 225 partidas disputadas e os títulos da Supercoppa de 2000 e da Coppa Italia de 2004. Aposentou-se em 2007, e hoje trabalha no clube, como um elo entre diretoria e jogadores.

Outro que iniciou sua trajetória na base romanista foi Roberto Muzzi, atacante nascido na capital, que subiu para o time principal da Roma em 1990 e ficou por lá até 1993. Passou pelo Pisa, teve certo sucesso em Cagliari e Udinese, e foi contratado pela Lazio em 2003. Nunca foi titular absoluto, mas teve um momento de destaque na última partida da temporada 2004-05: fez o gol que garantiu o empate na partida contra o Palermo, que terminou em 3 a 3, decretando a salvezza matemática para a Lazio naquela temporada. No total, foram 11 gols em 61 partidas de 2003 até 2005, e o título da Coppa Italia de 2004.

O último dos moicanos: depois de Siviglia, nenhum ex-romanista passou pela Lazio até hoje

Até então, é o último jogador que veio para a Lazio após ter passado pela rival é Sebastiano Siviglia. Na única temporada em que passou na Roma (2001-02), jogou apenas cinco partidas. E após rodar por Parma, Atalanta e Lecce, chegou à Lazio em 2005. E foi com a camisa biancoceleste que o zagueiro teve seu melhor momento na carreira, somando 182 partidas disputadas, 10 gols anotados e dois títulos conquistados: a Coppa Italia e a Supercoppa, ambos em 2009. Se aposentou em 2010, após o fim de seu contrato.

Zeman em vestes de treinador da Lazio: jogo bonito, mas sem títulos, é com o outro time da capital

BÔNUS: além dos jogadores, houve também quem sentou no banco de reservas tanto da Lazio quanto da Roma e comandou ambas as equipes. O checo Zdenek Zeman, após surpreender a Itália com seu Foggia e lançar jogadores como Giuseppe Signori e Roberto Rambaudi, os quais o treinador reencontraria na Lazio, conseguiu um vice-campeonato e um terceiro lugar com o time biancoceleste entre 1994 e 1996, antes de ser demitido em 1997. No mesmo ano, Zeman foi contratado pela Roma, onde ficou até 1999, sem grandes resultados. Depois de rodar por inúmeros clubes, o técnico nascido na região da Boêmia voltou à Roma em 2012, mas não conseguiu completar uma temporada no cargo e foi demitido antes da final da Coppa Italia entre as duas equipes da capital em 2013. Por não ter vencido nenhum título expressivo sua carreira, a ligação de Zeman é muito mais forte com a Roma do que com a Lazio.

Colaboraram Alexandre Verón, Cleber Gordiano, Felipe Alves, George Raposo, Lian McCall Valmont e Wesley Lourenço

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